quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

A IDADE EM QUE VOCÊ FOI DIAGNOSTICADO COM DIABETES TIPO 1 PODE FAZER UMA PREVISÃO IMPORTANTE.

Quantos anos você tinha quando foi diagnosticado com diabetes tipo 1? Sua resposta pode prever seu risco de desenvolver distúrbios autoimunes adicionais.
O diabetes tipo 1 é um distúrbio auto-imune no qual o sistema imunológico do corpo começa a “atacar” as células do pâncreas que produzem insulina. A causa exata do diabetes tipo 1 é desconhecida, embora alguns fatores de risco possam incluir história familiar, genética e possivelmente exposição a vírus ou fatores ambientais. Embora o diabetes tipo 1 possa começar em qualquer idade, é mais comumente diagnosticado entre 4 e 7 anos e 10 e 14 anos de idade.
Um estudo publicado na revista Diabetes Care em janeiro analisou dados de 1.212 pacientes do Centro de Diabetes da Universidade de Washington e descobriu que pessoas que foram diagnosticadas com diabetes tipo 1 mais tarde na vida tinham um risco maior de desenvolver doenças autoimunes.
Idade 10 ou menos no momento do diagnóstico: 68,7 por cento não tinham doença auto-imune adicional, 21,8 por cento tinham um, 7 por cento tinham duas.
Idade 11 a 20 no momento do diagnóstico: 67,6 por cento não tinham doença auto-imune adicional, 22,3 por cento tinham uma, 8,5 por cento tinham duas.
Idade 21 a 30 no momento do diagnóstico: 66,7 por cento não tinham doença auto-imune adicional, 23,1 por cento tinham uma, 7,4 por cento tinham duas.
Idade 31 a 40 no momento do diagnóstico:  59,6 por cento não tinham doença auto-imune adicional, 29,5 por cento tinham uma, 6,9 por cento tinham duas.
Idade 40 anos ou mais no momento do diagnóstico: 52,5 por cento não tinham doença auto-imune adicional, 28,7 por cento tinham uma, 11,2 por cento tinham duas.
A amostragem com mais de 40 anos também apresentou a maior porcentagem de pessoas que desenvolveram três doenças autoimunes adicionais (4,2%) e quatro ou mais doenças autoimunes adicionais (3,5%). Apenas 0,8 a 3,4 por cento das pessoas nas amostragens dos mais jovens desenvolveram três doenças auto-imunes em comparação. Menos de um por cento desenvolveu quatro ou mais.
O estudo também descobriu que as mulheres eram mais propensas que os homens a desenvolver doenças autoimunes adicionais. As doenças autoimunes associadas ao diabetes tipo 1 mais prevalentes foram a doença da tireoide, doenças vasculares do colágeno e anemia perniciosa.
Os autores do estudo recomendaram que indivíduos diagnosticados com diabetes tipo 1 em idade mais avançada (particularmente mulheres) devam ser monitorados quanto a outras condições autoimunes.
Ser diagnosticado com uma segunda (ou terceira ou quarta) doença crônica pode ser difícil, como a contribuinte Mighty, Katie Jo Ramsey, discutiu. Ela compartilhou suas três dicas para obter outro diagnóstico: Escute seu corpo, valorize sua saúde e deixe-se chorar. Ela escreveu:
Dar a si mesmo o espaço para lamentar suas doenças não é um auto-padecimento. Mesmo que você esteja acostumado a ficar doente, é um golpe descobrir que mais uma coisa está errada com seu corpo. Deixe-se chorar por isso. Converse com um amigo. Volte para ver seu conselheiro. (Isso é o que eu fiz.)
Se você tem um diagnóstico, dois ou cinco, espero que você seja corajoso e valorize a si mesmo hoje.

https://www.tiabeth.com/index.php/2019/02/07/a-idade-em-que-voce-foi-diagnosticado-com-diabetes-tipo-1-pode-fazer-uma-previsao-importante/

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

QUAL PORCENTAGEM DE CADA TIPO DE DIABETES NA POPULAÇÃO?


Um estudo da Universidade de Iowa procurou determinar exatamente qual porcentagem de pessoas nos EUA tem diabetes tipo 2 e quantas têm diabetes tipo 1. Como esperado, existem muitos mais com diabetes tipo 2 do que o tipo 1.
Os autores do estudo dizem que 8,5% dos adultos americanos têm diabetes tipo 2, enquanto 0,5 por cento foram diagnosticados com diabetes tipo 1. Eles descobriram que 91,2% dos casos de diabetes são casos de diabetes tipo 2 e 5,6% dos casos de diabetes são do tipo 1.
POR QUE ESSES NÚMEROS SÃO IMPORTANTES?
Segundo o principal autor do estudo, Wei Bao, professor assistente de epidemiologia na Faculdade de Saúde Pública, esses resultados são importantes para a alocação de recursos. Além disso, “Esses dois tipos de diabetes diferem não apenas por suas causas, mas também por suas manifestações clínicas e estratégias de tratamento”, diz ele.
Em relação ao diabetes tipo 2, Bao diz que “o diabetes tipo 2 pode ser prevenido através de mudanças no estilo de vida, mas até agora não existe um método estabelecido para prevenir o diabetes tipo 1”.
Este estudo recebeu seus dados do National Health Interview Survey do CDC, que é realizado todos os anos por pessoas que vão de porta em porta perguntando ao público sobre sua saúde. Eles perguntaram às pessoas se elas haviam sido diagnosticadas com diabetes tipo 1, tipo 2 ou outro tipo de diabetes e anotaram essas respostas. Como resultado, uma limitação do estudo poderia muito bem vir de erros auto-relatados.
AMBAS AS TAXAS DE DIABETES CONTINUARÃO A SUBIR?
A Universidade de Iowa diz que Bao “espera que mais americanos relatem diabetes tipo 2 como resultado da epidemia de obesidade em curso. Mas ele também não ficaria surpreso se mais adultos tivessem diabetes tipo 1 por causa dos melhores tratamentos que mantêm os pacientes vivos por mais tempo ”. A essa altura, ele disse a eles: “O diabetes tipo 1 costumava ser letal para crianças anos atrás e, portanto, as crianças que tinham a doença tinham menos tempo de vida”, diz ele. “Agora, o tratamento foi melhorado para ser tão eficaz que muitas crianças sobreviverão até a idade adulta”.


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Você sabe qual é a atuação de uma associação de diabetes?

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Na internet, muitas associações de diabetes têm criado suas páginas, colocado suas iniciativas, mas muitos dos internautas não sabem perfeitamente qual é o papel de uma associação e como ela pode ajudar a sociedade.
Para começarmos, é importante saber que as associações são Organizações Não Governamentais que ganharam força no Brasil em 1992, quando governantes de 108 países e 9 mil ONGs se reuniram no Rio de Janeiro para discutir os rumos ecológicos do planeta. A Rio-92, como foi batizado o encontro, entrou para a história das organizações não governamentais brasileiras. Nunca elas haviam conseguido tanto destaque e espaço para debater suas posições, lado a lado com os mais importantes chefes de Estado.
As ONGs são as ferramentas que a população tem para participar da sociedade. São pessoas que se unem por uma causa comum, lutando por ideais que consideram relevantes e, até por isso, focadas e especializadas nesses temas. O papel das ONGs atualmente é muito abrangente, visto que elas podem atuar em várias frentes, desde lidar com as tensões e desigualdades sociais, os problemas decorrentes da superpopulação das grandes metrópoles, até as questões ecológicas. O contexto em que vivemos exige uma atuação cada vez maior e mais eficiente por parte das organizações não governamentais.
Hoje, o envolvimento das pessoas em diabetes, seja na tomada de decisões clínicas que lhes digam respeito, seja na sensibilização para as políticas de saúde que as afetam, na partilha de experiências com outras pessoas com a mesma condição ou mesmo no contributo ativo para a ciência e investigação clínica – é visto como uma mais-valia inquestionável para o progresso da saúde.
Segundo Graça Camara, psicóloga e coordenadora do Projeto Educando Educadores, surgido a partir de uma parceria entre a ADJ Diabetes Brasil, a Sociedade Brasileira de Diabetes e a Federação Internacional de Diabetes, na educação em diabetes, as associações fornecem ferramentas que ajudam a entender o que acontece com o seu organismo quando estes recebem o diagnóstico de diabetes, respeitando as diferenças de compreensão e hábitos de vida de paciente. Assim, as pessoas poderão desenvolver comportamentos de autocuidado e alcançar resultados a curto e a longo prazo.
Além disso, dentro das associações, as pessoas podem adquirir educação em diabetes também por meio de grupos de apoio especializados, que podem compartilhar experiências com outras pessoas, que têm a mesma condição. Esses grupos facilitam também o compartilhamento de ideias sobre as formas de cuidar do diabetes, preparação de alimentos e sobre a ação da atividade física no organismo.
Outra função muito importante é que muitas associações estão ajudando as pessoas a conhecerem seus direitos e batalhar pelo acesso ao tratamento adequado. Isso é o que chamamos de advocacy: meios pelos quais as pessoas podem lutar pelos seus direitos e ter sua voz ouvida pelos formuladores de políticas públicas e tomadores de decisão. É na verdade um sinônimo de defesa e argumentação em favor de uma causa. É um processo de reivindicação de direitos, que têm por objetivo influenciar na formulação e implementação de políticas públicas, que atendam as necessidades da população.
Voluntariado em ONG’s
Independentemente das áreas de atuação das ONGs, muitas delas têm dificuldade de encontrar pessoas engajadas que queiram ser voluntárias, para otimizar sua atuação na sociedade.
Por isso, perguntamos: Por que não inserir um trabalho voluntário no nosso dia a dia? Sim, temos nossas preocupações, agenda lotada de compromissos e ainda precisamos reservar um espaço para o descanso. Realmente não é fácil. Mas, como nós administramos o tempo e não o contrário, é possível dedicar um fim de semana por mês, um dia por semana ou mesmo uma hora do dia para uma atividade voluntária, não é mesmo?
E não é tão difícil. Ser voluntário é uma relação humana, rica e solidária. É uma iniciativa que pode ajudar tanta gente e, ao mesmo tempo, ser tão recompensadora que não nos damos conta de que nós mesmos muitas vezes somos mais beneficiados do que a pessoa “carente” naquela ação.
Segundo as Nações Unidas, o voluntário é o jovem ou o adulto que, devido a seu interesse pessoal e espírito cívico, dedica parte do seu tempo, sem remuneração alguma, a diversas formas de atividades, organizadas ou não, de bem-estar social, ou outros campos.
Por exemplo, na ADJ Diabetes Brasil, o trabalho voluntário pode ser realizado dentro das possibilidades das pessoas e que, com o gerenciamento do tempo, os participantes têm a sensação de dever cumprido. Além disso, o voluntário tem a certeza que pode abrir uma janela, que pode se tornar muito recompensadora, ao sentir o quanto pode se tornar útil e fazer a diferença na vida de outra pessoa.
Se você ficou empolgado com este texto e quer se tornar um voluntário, o Portal preparou um mapa das Associações do Brasil. Veja: https://bit.ly/2E4s6Xl
Mas, caso você queira conhecer outras ONG’s para se candidatar ao trabalho voluntário, é só acessar o site Atados (https://www.atados.com.br/), plataforma social online que conecta pessoas a oportunidades de voluntariado em causas sociais de diversos segmentos.
Esclarecimento aos usuários

F: https://debemcomavida.accuchek.com.br/voce-sabe-qual-e-a-atuacao-de-uma-associacao-de-diabetes/

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Controle de doenças crônicas é prioridade da OMS para 2019.



A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou quais são as prioridades da saúde para 2019. Dentre elas, destaca-se o controle de doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes que, só no Brasil, atinge mais de 13 milhões de pessoas. Para conter seu avanço, a OMS propõe atuar junto aos governos a fim de atingir a meta global de redução em 15% da inatividade física até 2030, o que pode ser feito por meio de implantações de políticas públicas que incentivem a prática de exercícios diários.
Segundo a OMS, sedentarismo, assim como tabagismo, consumo excessivo de bebidas alcoólicas, má alimentação e poluição do ar, é fator de risco que impulsiona o crescimento da incidência das doenças crônicas. Além disso, a decorrente obesidade está entre as principais causas do diabetes tipo 2.
A Sociedade Brasileira de Diabetes compreende a importância de colocar em prática medidas efetivas para o combate de doenças crônicas. Os especialistas da instituição estão à disposição para comentar a lista divulgada pela OMS.

F: https://www.diabetes.org.br/publico/noticias-sbd/1780-controle-de-doencas-cronicas-e-prioridade-da-oms-para-2019

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

CANETAS DE APLICAÇÃO DE INSULINA CHEGAM AO SUS!

Um novo marco para os brasileiros com diabetes. Pela primeira vez no país, pessoas com diabetes tipo 1 terão acesso, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), à insulina análoga de ação ultrarrápida com aplicação via caneta pré-preenchida. Produzido pela empresa dinamarquesa Novo Nordisk na cidade mineira de Montes Claros, o produto auxiliará os pacientes no tratamento da doença.
Até então, as únicas insulinas distribuídas pelo Ministério da Saúde eram insulinas humanas de aplicação via seringa, sendo o próprio paciente o responsável por retirar da ampola a dose correspondente ao seu tratamento. Agora, os pacientes também terão a opção da caneta.
Segundo o gerente de grupo médico da Novo Nordisk, Rodrigo Mendes, o uso das canetas pré-preenchidas com insulina contribui para maior qualidade de vida. Isso porque o próprio paciente é responsável por regular a dosagem e a aplicação. Segundo Rodrigo, a precisão da dosagem de insulina com as canetas é maior do que no sistema que utiliza ampolas e seringas.
“Os pacientes relatam menor dor no local da aplicação. E há estudos que mostram um menor risco de ferimentos causados com a agulha da caneta. Isso acaba gerando um impacto de maior adesão ao tratamento do diabetes. Além disso, há um maior controle da glicemia, da glicose no sangue. E, consequentemente, uma menor chance de complicações relacionados ao diabetes como a hipoglicemia.”
Rodrigo destaca que, nos casos em que os pacientes já têm complicações com o diabetes, pode haver uma limitação na hora de manipular as seringas, o que não ocorre com as canetas. A insulina disponibilizada é a ultrarrápida que, segundo o gerente médico, é mais similar à insulina que o corpo humano produz. O que também permite um maior controle da glicemia.
Allan Finkel é vice-presidente e gerente geral da Novo Nordisk, empresa que produziu as canetas. Ele destaca que o desenvolvimento dessas tecnologias faz parte dos compromissos da empresa quando o assunto é o tratamento do diabetes.
“Nós entendemos que nosso compromisso vai além de fornecer medicamentos. Por isso, além de disponibilizar as canetas, que trazem maior facilidade na aplicação, o que consequentemente pode aumentar à adesão ao tratamento, continuaremos investindo na educação dos profissionais de saúde para a melhor utilização dos nossos produtos e no tratamento e diagnóstico do diabetes.”
As canetas estarão disponíveis em todos os estados do país, incluindo o Distrito Federal e devem atender cerca de 400 mil pacientes, de acordo com o Ministério da Saúde.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

CONITEC analisa fornecimento de análogos de ação lenta para pessoas com diabetes pelo SUS!


Em 29.12.2018 a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS - CONITEC, do Ministério da Saúde do Brasil, abriu Consulta Pública sobre o incorporação (fornecimento pelo SUS) de análogos de insulina de ação prolongada - glargina (lantus), detemir (levemir), e degludeca (tresiba) - para Diabetes Mellitus tipo 1 (DM1) e tipo 2 (DM2). Até o dia 17/01/19, gestores, trabalhadores e usuários do SUS, profissionais da saúde, pacientes, familiares e cuidadores de pessoas com diabetes, assim como pesquisadores em saúde, poderão contribuir enviando manifestações e depoimentos para influenciar a recomendação final da CONITEC.

A recomendação inicial da CONITEC, tanto para tipo 1 como para tipo 2, foi de não incorporação, pelos seguintes motivos:

Tipo 1: Conforme estudos científicos analisados, e ainda dados obtidos junto a municípios brasileiros com protocolo de análogos, as insulinas análogas de ação prolongada não demonstram grandes benefícios para o tratamento da doença e controle da glicemia. Seu uso como regime basal de insulina para DM1 parece beneficiar mais os pacientes que apresentam hipoglicemias frequentes. Embora melhore o controle da hipoglicemia grave e noturna, os estudos fixavam parâmetros diferentes para a queda glicêmica. Além disso, questões importantes como complicações diabéticas e variabilidade glicêmica (picos e vales, constantes hipoglicemias seguidas de hiperglicemias), não foram avaliadas nos estudos. Os dados dos municípios brasileiros demonstraram que poucos pacientes tiveram melhor controle glicêmico com a glargina (lantus) e não se conseguiu relacionar o uso de análogos de ação prolongada com a melhoria da qualidade de vida e da saúde do paciente com DM1. Finalmente, segundo a CONITEC, o montante de recursos financeiros envolvido numa potencial incorporação (em 05 anos, entre R$ 863 milhões para glargina com aplicador e R$ 2,0 bilhões para detemir com aplicador) prejudicaria a sustentabilidade do SUS.

Relatório para a Sociedade (versão resumida do Relatório Técnico, em linguagem mais acessível aos pacientes): http://conitec.gov.br/images/Consultas/Relatorios/2018/Sociedade/ReSoc136_INSULINAS_ANALOGAS_diabetes_tipoI.pdf


Tipo 2: Conforme estudos científicos analisados, os efeitos do tratamento cominsulinas análogas de ação prolongada são semelhantes aos do tratamento com insulina NPH, com pouca alteração dos níveis de HbA1c (hemoglobina glicada, média glicêmica de 03 meses). No entanto, os riscos de hipoglicemia são menores. Na comparação entre insulinas análogas de ação prolongada, as insulinas glargina (lantus) e detemir (levemir) são semelhantes tanto no controle glicêmico através dos níveis de HbA1c como para os episódios de hipoglicemia. O tratamento com insulina degludeca (tresiba) apresenta menor risco de hipoglicemia em relação à glargina (lantus), mas sem melhora dos níveis de HbA1c, e os estudos fixavam parâmetros diferentes para a hipoglicemia. Além disso, questões importantes como complicações diabéticas e variabilidade glicêmica (picos e vales, constantes hipoglicemias seguidas de hiperglicemias), redução da mortalidade em função do diabetes e melhoria da qualidade de vida e da saúde do paciente com DM2 em função de uso de análogos de ação prolongada não foram avaliadas nos estudos. Finalmente, segundo a CONITEC, o montante de recursos financeiros envolvido numa potencial incorporação (em 05 anos, entre R$ 3,6 bilhões para glargina e R$ 12,3 bilhões para degludeca)prejudicaria a sustentabilidade do SUS.
 
Relatório Técnico: http://conitec.gov.br/images/Consultas/Relatorios/2018/Relatorio_InsulinasAnalogas_AcaoProlongada_DM2_CP80_2018.pdf

Relatório para a Sociedade (versão resumida do Relatório Técnico, em linguagem mais acessível aos pacientes): http://conitec.gov.br/images/Consultas/Relatorios/2018/Sociedade/ReSoc137_INSULINAS_ANALOGAS_diabetes_tipoII.pdf


Em ambos os casos, esta recomendação inicial pode ser revista pela CONITEC. E qualquer pessoa que conheça, trate pacientes, use ou tenha usado os análogos de ação prolongada pode contribuir para isso, emitindo suas sugestões e comentários sobre a proposta de fornecimento de análogos de ação lenta para tratamento do diabetes tipo 1 e tipo 2 pelo SUS, assim como sobre a recomendação inicial da CONITEC. Por isso é tão importante que todos participem dessa Consulta Pública!

E que informações os pacientes podem fornecer para influenciar a recomendação final da CONITEC? Em ambos os casos, este pode ser um roteiro a ser seguido na redação do depoimento:


- Quanto à natureza do diabetes (tipo 1 ou tipo 2): quais os sintomas associados à doença, e que dificuldades eles trazem para a vida da pessoa tratada com insulina NPH no dia a dia (hipoglicemias normais, hipoglicemias graves, e hipoglicemias noturnas, por exemplo). É importante que em nossos relatos indiquemos o nível glicêmico: se falarmos de hipoglicemias normais, indicar que a glicemia era igual ou abaixo de 70 mg/dl; se hipoglicemias graves, relatar que se tratavam de glicemias igual ou abaixo de 55 mg/dl;

- Quais as limitações que o diabetes 
(tipo 1 ou tipo 2) tratado com a insulina NPH impõe à vida cotidiana, habilidade para trabalhar e/ou estudar, vida social, satisfação/preocupação dos familiares e amigos;

- Quanto ao tipo de análogo de ação prolongada: como há diferenças nos estudos entre os vários tipos de análogos de ação prolongada, é importante o paciente informar em seu relato com qual deles tem ou teve experiência. E se experimentou mais de um, relatar eventuais diferenças ou semelhanças dos efeitos no controle da glicemia, das hipoglicemias (principalmente as noturnas), das oscilações glicêmicas (picos e vales) e nas atividades diárias; 

- O impacto sobre o bem-estar mental da pessoa com diabetes com a utilização do análogo de ação prolongada;

- Atividades que a pessoa com diabetes 
(tipo 1 ou tipo 2) acha difíceis usando a insulina NPH (necessidade de se alimentar a cada 3 horas e dificuldades para manter o peso, por exemplo);

- Se o diabetes 
(tipo 1 ou tipo 2) tratado com insulina NPH impede a pessoa de cumprir o seu papel escolhido na vida;

- Caso haja complicações em decorrência do diabetes 
(tipo 1 ou tipo 2) e/ou do tratamento com insulina NPH: como a complicação interfere nas atividades diárias, se eventual medicação para tratar a complicação precisa ser administrada regularmente;

- Aspectos do diabetes 
(tipo 1 ou tipo 2) que o paciente acha mais difíceis de lidar;

- Quais benefícios o análogo de ação prolongada utilizado traz para a vida do paciente, principalmente aqueles relacionados à redução de hipoglicemias noturnas, oscilações glicêmicas (picos e vales) e tempo na meta (alvo glicêmico fixado pelo profissional de saúde, que representa o tempo em que a glicemia se mantem estável e dentro do controle planejado: no meu caso seria entre 80 mg/dl e 160 mg/dl);

- Como esses benefícios se comparam em relação ao tratamento com insulina NPH;

- Se o análogo de ação prolongada ajuda a pessoa com diabetes a viver melhor;

- O impacto financeiro do análogo de ação prolongada na vida do paciente.

 
É importante incluir também a experiência dos cuidadores e familiares, como eles são afetados pelo diabetes do paciente (tipo 1 ou tipo 2), podendo assim, trazer informações de como a inclusão dos análogos de insulina de ação prolongada para DM1 ou DM2 tornaria a vida diferente para o(s) cuidador(es) e para o(s) familiar(es).


Essas contribuições devem ser inseridas no formulário eletrônico do portal da CONITEC. Nesta Consulta Pública há dois formulários disponíveis:

• Formulário de experiência ou opinião: para considerações sobre experiências práticas com a doença ou a tecnologia em questão, provenientes tanto de pacientes, cuidadores, amigos, familiares ou profissionais de saúde (no caso de relato de experiência clínica);

• Formulário de contribuição técnico-científica: para considerações sobre o relatório técnico-científico, para opinar e adicionar novas informações técnicas provenientes de estudos, livros técnicos, etc (evidências científicas e estudos técnicos).


Acesse os links dos formulários de contribuição:

Diabetes tipo 1

formulário de contribuição técnico-científica: http://formsus.datasus.gov.br/site/formulario.php?id_aplicacao=44555


Diabetes tipo 2

formulário de contribuição técnico-científica: http://formsus.datasus.gov.br/site/formulario.php?id_aplicacao=44552


Mas fiquem atentos! No item 6 do formulário de contribuição, a CONITEC questiona se você concorda com ou discorda do relatório de recomendação. Considerando que o relatório da CONITEC foi contrário ao fornecimento dos análogos de ação prolongada para tratamento de diabetes tipo 1 e 2, se você entende que o SUS deve fornecer os análogos de ação lenta para DM1 ou DM2, você deve discordar do relatório preliminar da CONITEC, escolhendo a opção "discordo totalmente da recomendação preliminar".
 
Esta é uma oportunidade de participarmos do aperfeiçoamento da política pública de saúde direcionada às pessoas com diabetes tipo 1 e tipo 2. Quanto mais pessoas contribuírem, maior a quantidade de dados para análise da CONITEC.

Vamos todos contribuir para que a recomendação final da CONITEC reflita o interesse da sociedade: que os análogos de insulina de ação prolongada sejam fornecidos gratuitamente pelo SUS a todas as pessoas com diabetes, para que os benefícios sentidos na prática em relação ao controle da glicemia e à melhoria da qualidade de vida por quem usa a lantus, a levemir e a degludeca sejam extensíveis a todas as pessoas no Brasil!



Referência:

Manual "Entendendo a incorporação de tecnologias em saúde no SUS: como se envolver", publicado pelo Departamento de Gestão e Incorporação de Tecnologias em Saúde da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde: http://conitec.gov.br/images/Artigos_Publicacoes/Guia_EnvolvimentoATS_web.pdf

FONTE: http://diabetesedemocracia.blogspot.com/2019/01/conitec-analisa-fornecimento-de.html

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Vigilância na adesão a mudanças de hábitos alimentares para prevenção do diabetes

As Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) são um dos maiores problemas de saúde pública da atualidade. A alta prevalência das DCNT está relacionada a fatores de risco modificáveis como tabagismo, sedentarismo, alimentação inadequada e uso nocivo de álcool.
No Brasil, foram responsáveis, em 2012, por 74% do total de mortes, com destaque para as doenças do aparelho circulatório (30,4% dos óbitos), as neoplasias (16,4%), o diabetes (5,3%) e as doencas respiratórias (6,0%) (OMS,2014)
O Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) no Brasil 2011 – 2022 visa preparar o país para enfrentar e deter, em dez anos ,estas doenças , pois constituem o problema de saúde de maior magnitude e atinge fortemente camadas pobres da população e grupos mais vulneráveis, como a população de baixa escolaridade e renda.
O consumo de alimentos doces, ao lado do consumo de refrigerantes, é responsável por parte substancial do consumo de açúcar adicionado no Brasil (Levy et al 2012).
O Vigitel compõe o sistema de Vigilância de Fatores de Risco de Doenças do Ministério da Saúde e monitora por inquérito telefônico a frequência e distribuição dos principais determinantes das DCNT.
O consumo de alimentos doces foi estimado pelo Vigitel a partir de questão que indagou sobre a frequência semanal do consumo de sorvetes, chocolates, bolos, biscoitos ou doces.
Em 2013, no conjunto das 27 cidades, a frequência do consumo de alimentos doces em cinco ou mais dias da semana foi de 19,5%, sendo maior entre mulheres (21,6%) do que entre homens (16,9%). Já em 2014 esta frequência caiu para 18,1%, sendo ainda maior entre mulheres (20,3%) do que entre homens (15,6%).
Em ambos os sexos, nos dois anos, a frequência é maior entre os mais jovens (18 a 24 anos) e tendeu a aumentar de acordo com o nível de escolaridade.
No conjunto das 27 cidades, a frequência do consumo de refrigerantes em cinco ou mais dias da semana foi de 23,3% em 2013 e 20,8% em 2014 sendo mais alta entre homens (26,7% em 2013 e 23,9% em 2014) do que entre mulheres (20,4% em 2013 e 18,2% em 2014). Essa condição foi observada em um terço dos indivíduos na faixa etária entre 18 e 24 anos.
Em 2013, no conjunto das 27 cidades, a frequência do diagnóstico médico prévio de diabetes foi de 6,9%, sendo de 6,5% entre homens e de 7,2% entre mulheres. Já em 2014 esta frequência subiu para 8,0%, sendo de 7,3% entre homens e de 8,7% entre mulheres. Em ambos os sexos, o diagnóstico da doença se tornou mais comum com o avanço da idade, em particular após os 45 anos. Aproximadamente um quarto dos indivíduos com 65 ou mais anos de idade referiram diagnóstico médico de diabetes (24,4%). Em ambos os sexos, a frequência de diabetes diminuiu intensamente com o nível de escolaridade dos entrevistados.
Apesar da possibilidade de subestimação na informação autorreferida, o VIGITEL  indicou um contingente de mais de 9 milhões de adultos brasileiros com diagnóstico de diabetes.
O objetivo do Plano de Enfrentamento de DCNT é promover o desenvolvimento e a implementação de políticas públicas efetivas, integradas, sustentáveis e baseadas em evidências para a prevenção e o controle das DCNT e seus fatores de risco e fortalecer os serviços de saúde voltados às doenças crônicas. Além disso, alguns dos fatores de risco conhecidos são potencialmente modificáveis, o que os tornam alvos importantes de políticas públicas com certo potencial de sucesso.
A vigilância da prevalência e características de adesão a fatores protetores e de risco já conhecidos constituem-se como o principal instrumento nessa tarefa, permitindo aferir as exposições atuais e as tendências futuras, possibilitando a análise e construção de cenários de riscos prospectivos.

Referências bobliográficas:
1. BRASIL. Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) no Brasil 2011-2022. Disponível na internet via http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/leia-mais-o-ministerio/671-secretaria-svs/vigilancia-de-a-a-z/doencas-cronicas-nao-transmissiveis/14139-plano-de-acoes-estrategicas-para-o-enfrentamento-das-doencas-cronicas-nao-transmissiveis-dcnt-no-brasil-2011-2022. Em 21 de Agosto/2015.
2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Vigitel Brasil 2013: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde. – Brasília: Ministério da Saúde, 2014.120p.: il. –(Série G. Estatística e Informação em Saúde)
3. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância de Doenças e Agravos não Transmissíveis e Promoção da Saúde. Vigitel Brasil 2014 : vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância de Doenças e Agravos não Transmissíveis e Promoção da Saúde. – Brasília : Ministério da Saúde, 2015.152 p.: il.
4. LEVY, R. B. et al. Disponibilidade de açúcares de adição no Brasil: distribuição, fontes alimentares e tendência temporal. Rev. Bras. Epidemiol., [S.l.], v. 15, p. 3¬12, 2012.
5. WORLD Health Organization: Noncommunicable Diseases (NCD) Country Profiles, 2014.

FONTE: https://www.diabetes.org.br/publico/temas-atuais-sbd/1755-vigilancia-na-adesao-a-mudancas-de-habitos-alimentares-para-prevencao-do-diabetes