terça-feira, 9 de julho de 2019

SEIS LIÇÕES APÓS SEIS ANOS COM DIABETES TIPO 1.

1 – TER DIABETES É DIZER ADEUS A ALGUMAS COISAS E NÃO OLHAR PARA TRÁS

Este é um exemplo bobo, mas me ouça. Antes de ser diagnosticada, amava leite. Vivia em um mundo em que todos os anúncios que diziam “Beba leite!” ostentavam meu rosto. Mas quando o diabetes se instalou, a minha paixão por produtos lácteos acabou, pois aumentava muito minha glicose quando bebia leite no café da manhã. Coisas estranhas podem entristecê-lo com DT1, e cortar o leite foi uma delas. Mas, assim como um mau rompimento, depois de algum tempo chorando, mudei para um novo namorado do café da manhã: leite de amêndoa. E adivinha? Eu amo leite de amêndoa. Mais do que eu amei sua contraparte da vaca. E eu nunca teria encontrado sem diabetes. Diabetes muda muito na vida de uma pessoa, e pode ser chocante ajustar sua rotina. Mas se você estiver disposto a tentar coisas novas, é provável que encontre algo ainda melhor.

2 – DIABETES É UM AUMENTO DE VELOCIDADE, NÃO UM SINAL DE PARADA

Há muita linguagem em torno do diabetes que implica limites rígidos e incorretos. “Nós não podemos comer açúcar”. “Nós nunca vamos ser capazes de fazer alguma coisa”. Esta linguagem está errada. Quando fui diagnosticada pela primeira vez, mal sabia o que era diabetes e fiquei apavorada com o fato de meus sonhos terem sido interrompidos. Seis anos depois, o diabetes tipo 1 (DM1) nunca me impediu de fazer qualquer coisa que eu quisesse: na verdade, reforçou minha decisão de fazê-lo. Eu adoro participar de grandes caminhadas – eu caminhei a Half Dome em Yosemite alguns verões atrás, e eu vou estar caminhando no Grand Canyon no final deste ano. Olhe para a juíza da Suprema Corte de Justiça Sonia Sotomayor, ou celebridades como Nick Jonas, ou o esquiador olímpico Kris Freeman – todos eles têm o tipo 1 e todos têm realizações notáveis. O diabetes pode tornar as metas mais complicadas, mas tudo o que faz é nos tornar melhores planejadores e mais aventureiros conscientes.

3 – VIVA A CADA MOMENTO – BOM E RUIM

Eu tive uma hipoglicemia recente. Estava indo de carro para tomar um drinque com os amigos, e me senti totalmente horrível quando meu açúcar no sangue despencou. Chorei frustrada e isso foi terapêutico. Quando meus níveis subiram, entrei e me diverti com os amigos, e também me senti bem. Foi turbulento sair de uma baixa de glicose e choro para terminar em uma noite normal com os amigos. Mas se você se repreender toda vez que seu nível de açúcar no sangue estiver fora da linha, você terá muito pouco tempo para ser feliz. Quando você convive com o DM1, as coisas mudam muito rapidamente em sua vida. É importante reconhecer quando você está se sentindo mal, mas também é importante aprender e seguir em frente.
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4 – OUÇA SEU CORPO

O tipo 1 é matemática, mas também é muito intuição: viver com sucesso significa combinar os dois. Em termos de matemática, a pizza é difícil de comer. A gordura, a proteína, os carboidratos … não é incomum uma fatia bagunçar minha glicemia por horas depois de comer. E, no entanto, um dia, um pressentimento me disse que meu corpo queria pizza e que tudo ficaria bem. Três horas depois, meu nível de açúcar no sangue ainda não tinha ultrapassado os 100. Não sei dizer que mágica aconteceu naquele dia, mas foi um lembrete importante de que, independentemente de estarmos dosando, comendo ou fazendo exercícios, nosso Monitor de Glicose Contínuo (CGM) ) e nossa insulina são ferramentas que funcionam em conjunto com outra ferramenta importante: conhecer e ouvir nossos corpos. Às vezes isso significa que podemos comer aquela fatia de pizza, e às vezes isso significa que precisamos deixar de comer o bolo de aniversário no trabalho.

5 – ORGULHAR-SE DE VIVER COM O DIABETES PODE AJUDAR A TORNÁ-LO MENOS ISOLADO

Quando fiz a transição para usar um CGM em meu braço, tive uma incrível consequência não intencional: comecei a conhecer outros DM1s no meu dia-a-dia. Eu visitei uma pequena cidade de montanha no outono passado, usando meu CGM no meu braço pela primeira vez, e entrei em uma loja de velas. Enquanto olhava pelas prateleiras, a mulher que trabalhava no balcão perguntou: “Ah, é o G6? Você é do tipo 1? ” No meu sim, ela ligou para o marido de onde ele estava fazendo velas, que também era do tipo 1, e tivemos uma conversa maravilhosa. Da mesma forma, eu costumava ficar nervosa ao sentar na mesa principal da conferência durante as reuniões no trabalho, preocupado que todos olhassem se eu aplicasse uma injeção. Mas quando eu comecei a injetar abertamente, e as pessoas começaram a perguntar, fui capaz de educar mais a elas sobre o que significa viver com essa doença, e meus colegas de trabalho começaram a me entender mais.

6 – SEJA SUA MAIOR PRIORIDADE.

O DT1 afeta todas as partes da sua vida. De instrutores de treino gritando com a gente para empurrar com mais força (quando realmente o nosso açúcar no sangue está caindo), a pessoas que pensam que você é rude por olhar para o seu telefone durante uma reunião (quando você está realmente apenas de olho nos seus níveis de glicose), você tem que ser a pessoa número um cuidando de si mesma em um mundo que, em grande parte, não entende o DT1. Sua principal prioridade deve ser garantir que sua saúde física, mental e emocional estejam em bons lugares. O exercício pode ser difícil para o T1, mas você precisa fazer isso. Ouvir alguém mal informado fazer uma piada de diabetes o deixa desconfortável? Fale por si e pela sua comunidade. E quando você puder, reserve um tempo para você mesmo. Eu faço meu diaversário no trabalho todos os anos, e uso esse dia para refletir. Estou tirando esse dia enquanto escrevo esse texto. 6 anos com o tipo 1 tem sido uma jornada longa e difícil. Mas, embora eu definitivamente preferisse ter um pâncreas ativo, valorizo ​​profundamente a força, a determinação e a disciplina que ganhei nesses seis anos, e é difícil dizer que eu trocaria isso por qualquer outra coisa.
TCOYD: Tomando o controle do seu diabetes – Sabemos que viver com diabetes tipo 1 e tipo 2 não é um piquenique e, sejamos honestos, em alguns dias é muito difícil. A missão da TCOYD é centrada em EDUCAR, EMPODERAR, INSPIRAR E MOTIVAR pessoas como VOCÊ. E se você tem diabetes tipo 1, tipo 2 ou conhece alguém que tem, você deve passar o dia conosco. 


segunda-feira, 1 de julho de 2019

DIAGNÓSTICO DO DIABETES PODE CAUSAR ALGUMAS REAÇÕES EMOCIONAIS.

Ao receberem o diagnóstico de uma doença crônica as pessoas podem entrar em choque, negar, sentir medo ou raiva, e até entrar em depressão. Isso é comum, mas requer atenção e cuidados especiais.

Saber que vai ser necessário enfrentar uma doença crônica, como o diabetes tipo 2, por exemplo, causa vários estágios emocionais no paciente. Geralmente, o primeiro deles é o choque, seguido da descrença. Depois vem o medo, a raiva, a tristeza e até a depressão. Checar as taxas de glicemia, tomar os medicamentos corretos, regular a alimentação, praticar exercícios físicos, enfim, mudar alguns hábitos pode parecer algo sufocante e, por isso, o paciente precisa de atenção.
“É muito comum que as pessoas diagnosticadas com diabetes achem normal conviver com índices de glicose acima dos 200 mg/dL e neguem a realidade, minimizando, então, a gravidade da doença e adiando as providências e os cuidados necessários. Por isso, é muito importante que o paciente reconheça que a doença terá um papel importante na sua vida e aceite essa condição. Além disso, envolver a família e os amigos mais próximos, ajuda muito quem tem diabetes”, diz o Dr. Luiz Turatti, endocrinologista e Ex-Presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes.
Passado o choque, é comum que as pessoas acometidas pela doença sintam medo. “Esse sentimento está relacionado diretamente à falta de informação. A partir do momento em que se inicia um tratamento e que o paciente toma conhecimento sobre o que é a doença e suas consequências, isso tende a diminuir”, conta o Dr. Luiz Turatti.
A raiva também é algo comum para quem acaba de ser diagnosticado com diabetes, já que se trata de uma doença cercada de perigos e complicações. “O grande desafio para o paciente, neste caso, é aprender a controlar esse sentimento. É possível aprender a usar essa raiva no controle do diabetes”, completa o Dr. Turatti.
Passados o medo e a raiva, é normal sentir tristeza ou desânimo. Essa é uma questão bastante delicada e que requer muita atenção. De acordo com uma pesquisa de mestrado realizada pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), não há relações estatisticamente significativas entre diabetes e depressão. Contudo, a análise apontou a existência de uma relação bidirecional entre eles, uma vez que o diabetes tipo 2 aumenta o risco de depressão, ao mesmo tempo em que a depressão aumenta o risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2.
Segundo a pesquisa, essa é uma abordagem que pressupõe uma ligação expressiva entre aspectos comportamentais e psicológicos e os sistemas nervoso, endócrino e imunológico. “É natural sentir tristeza, mas ela não pode ser constante. Por isso é fundamental ficar atento aos sintomas como cansaço excessivo, dificuldade para dormir e para tomar decisões, entre outros”, finaliza o médico.

DIABETES NO BRASIL E NO MUNDO

O diabetes é uma doença crônica causada quando há uma baixa produção de insulina pelo pâncreas, ou quando o corpo não utiliza de modo eficaz a insulina produzida pelo organismo. Como esse hormônio é o regulador da glicose no sangue, distúrbios em sua produção ou utilização pelo corpo podem provocar alterações nos níveis de glicose acarretando uma série de complicações à saúde. Os riscos associados a essa patologia incluem perda de visão, amputação de membros inferiores, problemas dermatológicos, doenças renais e cardiovasculares.
Considerado uma epidemia global pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o diabetes tipo 2 atinge cerca de 425 milhões de pessoas no mundo, sendo 14 milhões somente no Brasil. Fatores como obesidade, inatividade física e dieta pouco saudável podem aumentar as chances de o paciente desenvolver essa doença, que pode ser assintomática, e traz grandes riscos à saúde.
Os pacientes com diabetes tipo 2 têm de duas a quatro vezes mais chances de sofrerem infarto ou Acidente Vascular Cerebral (AVC). Até 80% dos pacientes diabéticos tipo 2 morrem em decorrência de doenças cardiovasculares. Porém, existem tratamentos modernos como a empagliflozina, que é um medicamento oral, que reduz em até 38% as chances de morte resultante de complicações cardiovasculares em pacientes com diabetes tipo 2 e doença cardiovascular, conforme mostrou o estudo EMPA-REG OUTCOME.

sexta-feira, 21 de junho de 2019

DIABETES É DOENÇA QUE LIDERA AÇÕES JUDICIAIS PARA PEDIDO DE INSUMOS

O diabetes mellitus insulino-dependente é a doença que lidera o número de ações judiciais para fornecimento de insumos, com mais de 9 mil pedidos, segundo dados da SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes) e da SES-SP (Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo). Outras variações do diabetes seguem na liderança da lista, com o diabetes mellitus não-especificado em segundo lugar, com cerca de 3.400 ações, e o diabetes mellitus não-insulino-dependente em quarto lugar, com 2.644 ações. 
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Segundo a SBD, o número de portadores da doença tende a crescer no Brasil, passando de 14,3 milhões de pacientes atuais para 23,3 milhões em 2040. A IDF (Federação Internacional de Diabetes, na sigla em inglês) estima que no ano de 2045 sejam 629 milhões de diabéticos ao redor do globo.
Atualmente, 90% dos casos, tanto no Brasil, quanto no mundo, são de diabetes tipo 2, e os outros 10% são de diabetes tipo 1. Porém, embora os níveis de diabéticos do tipo 2 sejam altos, o número de adesão ao tratamento é baixo, totalizando 23%, de acordo com dados apresentados durante um evento da ADJ Diabetes Brasil realizado na quinta-feira (13), em São Paulo.
Segundo a endocrinologista Denise Franco, diretora da ADJ Diabetes Brasil, a baixa adesão se dá pela falta de aceitação da doença e do tratamento, e também da depressão, que pode vir ou não por tais motivos, o que faz com que os pacientes fiquem menos motivados a se cuidarem.
Outro cenário preocupante, segundo a especialista, é o aumento de diabéticos tipo 2 abaixo de 18 anos. “Esse aumento se dá na população em geral, mas estamos observando isso entre os mais jovens também, e os números acompanham os níveis de obesidade e sedentarismo”, afirma.
Já para diabéticos tipo 1, o cenário parece um pouco mais animador, visto que, com os avanços de tratamento, a evolução das bombas de insulina caminham para o desenvolvimento de um pâncreas artificial, no qual os processos são automatizados, com sensor de glicose e ação combinada com a bomba.
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“A bomba de insulina é uma ótima opção para quem depende [da substância]. Porém, a recomendação não é para todos, pois depende da indicação, aceitação e controle do paciente”, conta a médica.
O aparelho de bomba de insulina já é disponibilizado no mercado brasileiro, mas não há previsão de incorporação do produto na rede pública. “Acabamos de conseguir a incorporação de insulinas análogas, então deve demorar para que o governo também implemente as bombas”, finaliza.

quarta-feira, 5 de junho de 2019

ANVISA APROVA PRIMEIRA INSULINA INALÁVEL PARA DIABETES DO PAÍS

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a comercialização da primeira insulina inalável do País. A resolução que concede o registro ao produto foi aprovada na última quinta-feira, 30, e publicada nesta segunda-feira (3) no Diário Oficial da União.
Batizada de Afrezza, a nova insulina é comercializada em pó, em cartuchos com três tipos de dosagem. Para utilização, o paciente com diabete deve encaixar o cartucho no inalador e aspirar o pó. A substância chega ao pulmão e é absorvida pela corrente sanguínea, onde cumpre a função de reduzir os níveis de açúcar no sangue. Hoje, as insulinas disponíveis no mercado brasileiro são todas injetáveis.
Segundo especialistas, embora represente uma alternativa no tratamento do diabete e um ganho na qualidade de vida por reduzir o número de injeções, a Afrezza tem limitações. Ela não é capaz de substituir todas as aplicações diárias de insulina, tem pouca variedade de dosagens e é contraindicada para pacientes com problemas pulmonares e menores de 18 anos. Por outro lado, por não exigir refrigeração, é mais fácil de transportar e armazenar e poderá reduzir o número de picadas de agulha a que o paciente tem que submeter-se diariamente.
A insulina inalável pode substituir somente as aplicações de insulina de ação rápida ou ultrarrápida, também chamadas de bolus. Esse tipo de insulina é utilizada geralmente antes de cada refeição, quando o organismo precisa de um volume maior do hormônio para compensar o açúcar ingerido.
O outro tipo de insulina, a basal, de ação mais lenta, é geralmente aplicada somente uma vez por dia e não poderá ser substituída pelo produto inalável, como explica Lívia Porto, endocrinologista do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
“Se o paciente diabético tem um tratamento nesse esquema basal-bolus, ele costuma fazer pelo menos quatro aplicações por dia: uma basal e três bolus, no café da manhã, almoço e jantar. Se passar a usar a inalável, ele diminuiria de quatro aplicações diárias para uma aplicação. Seria um ganho de qualidade de vida, mas não substituiria totalmente a injetável”, diz a médica.
Para Heraldo Marchezini, CEO da Biomm, empresa responsável pela fabricação e distribuição do produto no Brasil, a facilidade de manuseio e uso da Afrezza representa um avanço na qualidade de vida dos pacientes. “No momento das refeições, o paciente muitas vezes tem que utilizar a insulina em uma situação social, fora de casa, e, com a inalável, o procedimento pode ser mais rápido e discreto. O inalador cabe na palma da mão. É uma grande inovação na forma de aplicar”, afirma.
Ele afirma que o produto pode ser usado tanto por pacientes com diabete tipo 1 quanto por portadores do tipo 2 da doença. Considerando, no entanto, que a maioria dos diabéticos tipo 2 fazem tratamento com comprimidos e não com insulina, os principais beneficiados pelo novo produto seriam os pacientes com diabete tipo 1, cujo tratamento obrigatoriamente inclui aplicação de insulina.
“No caso do diabético tipo 2, a Afrezza seria indicada somente para aqueles pacientes que não estão conseguindo controlar a glicemia somente com medicação via oral”, explica o endocrinologista Freddy Eliaschewitz, assessor científico da Sociedade Brasileira de Diabetes e diretor do Centro de Pesquisa Clínicas CPclin, instituição brasileira que participou dos estudos da insulina inalável. Segundo o especialista, dos cerca de 15 milhões de brasileiros que têm diabete, estima-se que 10% possua o tipo 1 da doença e 90%, o tipo 2.

CONTRAINDICAÇÕES

Os médicos explicam que pacientes com problemas pulmonares não poderão utilizar o Afrezza por duas razões. “A absorção pelo pulmão pode não ser a adequada e a insulina inalável pode deflagrar crises de asma, com broncoespasmos”, diz Eliaschewitz. Estão incluídos na contraindicação pacientes com asma, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) e fibrose pulmonar, além de fumantes. No caso de menores de 18 anos, a Afrezza é contraindicada porque o produto não foi estudado em pacientes desta faixa etária.
Outra limitação da insulina inalável é a baixa variedade de dosagens disponíveis. A Afrezza chega ao mercado em apenas três apresentações: 4, 8 ou 12 unidades, enquanto as insulinas injetáveis são oferecidas em doses de 1 unidade, o que permite maior combinação e personalização.
“A dosagem indicada depende do paciente e do volume de glicose ingerida em cada refeição. O número de unidades usadas em cada aplicação varia muito. Tenho paciente que precisa de apenas duas unidades e outros que precisam de 15 em cada refeição. Na injetável a gente consegue escolher a dose perfeita. Na inalável não”, afirma Lívia Porto.

PRÓXIMOS PASSOS

Embora tenha recebido a aprovação da Anvisa, a Afrezza ainda deve demorar alguns meses para estar disponível para venda. “Nossa expectativa é que ainda neste ano o produto passe pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED)”, diz o CEO da Biomm. A câmara é uma instância da Anvisa que estabelece os preços dos medicamentos antes de eles chegarem ao mercado.
Marchezini diz que ainda não é possível estimar quanto o produto custará no Brasil. Nos Estados Unidos, onde a Afrezza já é comercializada desde 2015, a menor dose, de 4 unidades, custa U$ 3,80, o equivalente a R$ 14,80.

quinta-feira, 30 de maio de 2019

POR QUE A VACINA CONTRA GRIPE É VITAL PARA PESSOAS COM DIABETES?

Especialistas dizem que pessoas com diabetes devem manter suas vacinas em dia porque doenças como a gripe podem causar sérias complicações.
Está de volta. O início da temporada de gripe, e isso deixa as pessoas com uma decisão sobre a possibilidade de tomar a vacina deste ano.
Para pessoas com diabetes, essa questão é ainda mais crucial. As pessoas com diabetes tipo 1 ou tipo 2 têm um risco maior de contrair vírus sazonais, como a gripe e serem hospitalizados durante o combate à doença.
Para aqueles que lutam contra a obesidade, como muitas pessoas com diabetes, infecções como a coqueluche ou a gripe são especialmente perigosas.
Por exemplo, um vírus que pode causar uma doença leve em uma pessoa magra pode levar uma pessoa obesa com fisiologia pulmonar restritiva a uma insuficiência respiratória evidente.
“Coqueluche – ou qualquer doença respiratória – poderia ser pior para pessoas gravemente obesas que podem ter comorbidades, como a apneia do sono e síndrome de hipoventilação da obesidade”, diz o  Dr. Eric Sodicoff, autor do Phoenixville Nutrition Guide.
A Associação Americana de Educadores de Diabetes (AADE) enfatiza que não importa quão bem administrada seja sua diabetes, todas as pessoas com diabetes devem ser vacinadas.
“As pessoas com diabetes podem estar em maior risco de contrair certas doenças e também sérios problemas de doenças que poderiam ter sido evitadas com vacinas”, diz o Dr. Evan Sisson , PharmD, MHA, CDE, FAADE e um professor adjunto do Departamento. of Pharmacotherapy & Outcomes Science na Escola de Farmácia da Virginia Commonwealth University.
“Todos devem saber de que vacinas são necessárias para se proteger e discutir com seu médico se estão em dia com as vacinas”, acrescenta.
Especialistas dizem que as vacinas, como a vacina contra a gripe, provavelmente não lhe darão a doença que são projetadas para prevenir porque contêm uma versão morta do vírus.
Em vez disso, as vacinas ajudam o sistema imunológico a preparar os anticorpos que combaterão o vírus se você entrar em contato com ele.

POR QUE O DIABETES COLOCA VOCÊ EM RISCO MAIS ALTO

Desde diabetes tipo 1 é uma doença auto-imune, o sistema imunológico de alguém com a doença já foi comprometida, o que significa que sua capacidade de combater com sucesso um vírus é menos provável.
“Pessoas com diabetes tipo I têm sistemas imunológicos que são menos vigilantes do que em pessoas normais”, diz o  Dr. Len Horovitz, especialista pulmonar do Hospital Lenox Hill, em Nova York.
“O risco de infecção no diabetes, seja viral ou bacteriano, é bem conhecido”, explica Horovitz. “Além disso, níveis elevados de açúcar no sangue [no diabetes tipo 1 ou tipo 2] promovem a infecção por conta própria.”
Horovitz acrescenta que pessoas com diabetes também são mais suscetíveis à pneumonia pneumocócica, aumentando o valor de vacinas como Prevnar e Pneumovax.
Para pacientes especificamente com diabetes tipo 1, uma simples sessão de vômito, febre e / ou desidratação induzida por vírus pode facilmente levar à cetoacidose diabética (CAD).
A CAD, de acordo com o CDC, é “uma condição de emergência na qual níveis extremamente altos de glicose no sangue, juntamente com uma grave falta de insulina, resultam na quebra da gordura corporal como energia e no acúmulo de cetonas no sangue e na urina.
Os sinais de CAD são náuseas e vômitos, dor de estômago, odor de hálito frutado e respiração acelerada. A CAD não tratada pode levar ao coma e à morte”.
Mesmo com níveis de açúcar no sangue anteriormente bem administrados, a adição do vírus da gripe ao corpo de uma pessoa com diabetes tipo 1 exacerba sua capacidade de gerenciar até mesmo os aspectos básicos da homeostase.
Uma pessoa com diabetes tipo 1 que esteja preocupada com a gripe deve monitorar os níveis de açúcar no sangue com diligência extra.
Eles devem chegar a um pronto-socorro rapidamente para receber fluidos intravenosos (solução salina, eletrólitos e às vezes insulina e glicose) se o açúcar no sangue parecer resistente às doses de insulina, ao primeiro sinal de vômito e se os níveis de cetona na urina ou nas tiras de sangue tornar-se moderado a alto.
Pessoas com diabetes tipo 1 e tipo 2 também têm o dobro de chances de morrer de uma complicação relacionada à gripe, de acordo com um estudo de 2018 do Indian Journal of Endocrinology and Metabolism.

POR QUE AS VACINAS SÃO IMPORTANTES?

Aproximadamente 80.000 pessoas morrem a cada ano da gripe, incluindo crianças saudáveis.
Tomar a vacina contra a gripe e outras vacinas, como o Tdap (para tétano, difteria e coqueluche), não apenas protege você, mas também protege pessoas incapazes de se vacinar, como bebês com menos de 6 meses e pessoas com alergias severas a ingredientes de vacinas.
Especialistas dizem que a vacina contra a gripe não pode transmitir a gripe porque ela contém um vírus morto. Em vez disso, ele simplesmente ajuda seu corpo a preparar seu sistema imunológico com os anticorpos que ajudarão a combater a gripe se você entrar em contato com o vírus.
“A AADE fez uma parceria com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) para divulgar as vacinas que são importantes para as pessoas que vivem com diabetes”, explica um comunicado de imprensa recente  da AADE.
Essas vacinas incluem:
  • Vacina contra a gripe: “A vacina contra a gripe é a melhor maneira de se proteger contra a gripe sazonal. A gripe coloca as pessoas com diabetes em alto risco para complicações de saúde, como o aumento dos níveis de glicose no sangue. A doença também pode levar a doenças mais graves, como pneumonia, bronquite, sinusites e infecções de ouvido, muitas vezes resultando em hospitalização e, às vezes, até a morte. ”As pessoas devem tomar uma vacina contra a gripe anualmente e as vacinas já estão disponíveis este ano.
  • Vacina Tdap: “A vacina Tdap protege contra três doenças graves causadas por bactérias: tétano, difteria e coqueluche, ou coqueluche.” As pessoas devem receber a vacina Tdap a cada 10 anos.
  • Vacina contra o Zoster: “A vacina contra o zoster reduz o risco de desenvolvimento de herpes zoster e NPH, doenças sérias para pessoas não vacinadas à medida que envelhecem”.
    Pessoas com 50 anos ou mais devem tomar a vacina Zoster.
  • Vacina pneumocócica: “As pessoas com diabetes estão em risco aumentado de morte por infecções pneumocócicas, que podem incluir infecções dos pulmões, sangue, ouvido e revestimento do cérebro e da medula espinhal”. Pessoas com diabetes devem receber a vacina antipneumocócica uma vez antes a idade de 65 anos e mais duas depois.
  • Vacina contra hepatite B: “Como a hepatite B pode ser disseminada através de medidores de glicose no sangue compartilhados, dispositivos de punção digital e outros equipamentos de tratamento de diabetes, é essencial que pessoas com diabetes recebam a vacina.” A vacina contra hepatite B deve ser administrada a pessoas com diabetes menores de 60 anos. Pessoas de 60 anos ou mais devem perguntar a seus médicos sobre a vacina.

CONCLUSÕES

Doenças como a gripe podem causar complicações sérias para pessoas com diabetes ou para aquelas que são obesas.
Pessoas com diabetes tipo 1 e tipo 2 também têm duas vezes mais chances de morrer de uma complicação relacionada à gripe, explica um estudo de 2018 do Indian Journal of Endocrinology and Metabolism.
Por estas razões, é importante que as pessoas com diabetes sejam vacinadas contra a gripe, assim como outras doenças.

Ginger Vieira é um paciente especialista que vive com diabetes tipo 1, doença celíaca e fibromialgia. Encontre seus livros de diabetes na Amazon e conecte-se com ela no Twitter e no YouTube.

terça-feira, 14 de maio de 2019

O DIABETES TIPO 2 É AUTO-IMUNE?

O diabetes tipo 2 e o diabetes tipo 1 são auto-imunes?
A descrição clássica do diabetes tipo 1 é que é uma doença auto-imune. Normalmente, mecanismos de controle se certificam de que o corpo não irá atacar a si mesmo, mas na diabetes tipo 1, algo deu errado com este processo e o sistema imunológico ataca as células beta, eventualmente, eliminando-as quase totalmente, fazendo com que as pessoas precisem injetar insulina.
O diabetes tipo 2, por outro lado, é descrito como uma doença da resistência à insulina. As células beta ainda podem produzir insulina, mas não o suficiente para superar a resistência à insulina, e conforme o tempo passa e as células beta se deterioram, os pacientes do tipo 2 também podem precisar de insulina.
Mas pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Stanford e da Universidade de Toronto dizem que sua pesquisa sugere que o diabetes tipo 2 também é uma doença auto-imune.
Isso faz sentido para mim. Eu sempre senti que os dois tipos de diabetes têm uma causa subjacente semelhante e efeitos secundários que modulam essa resposta. Além disso, estudos mostram que pessoas com diabetes tipo 1 podem ter alguma resistência à insulina, mas geralmente não tanto quanto em pessoas com tipo 2, e pessoas com diabetes tipo 2 podem produzir alguns autoanticorpos, mas geralmente não tanto quanto pessoas com tipo 1.
Em outras palavras, pode não haver uma linha nítida entre as duas versões da doença, mas um continuum, com algumas pessoas tendo mais de um tipo de defeito e outras menos.
Mas por causa do entendimento clássico dos dois tipos de diabetes, os médicos geralmente não testam anticorpos em pacientes com sinais típicos do tipo 2, aqueles que estão com sobrepeso e não fazem muito exercício, e não testam para resistência à insulina em pacientes magros que têm anticorpos auto-imunes.
Naturalmente, essa nova teoria não significaria que abordagens clássicas para diabetes tipo 2, como perda de peso e aumento de exercícios, não ajudariam. Quando tais abordagens reduzem a resistência à insulina o suficiente, então as células beta defeituosas podem produzir insulina suficiente para manter a glicose no sangue normal, dependendo do grau de dano das células beta no momento do diagnóstico.
Mas se essas novas ideias forem confirmadas com mais pesquisas, isso abrirá a porta para novos tratamentos para pacientes com o tipo 2, enfocando os aspectos autoimunes da doença.
Os pesquisadores dizem que as células imunológicas causam inflamação na gordura quando as células de gordura estão crescendo tão rápido que novos vasos sanguíneos para suportar as células de gordura não conseguem acompanhar. Algumas das células de gordura morrem como resultado e derramam seu conteúdo na gordura, causando inflamação. Isso é visto em camundongos em uma dieta rica em gordura e altamente calórica e em humanos com diabetes tipo 2.
A inflamação, então, causa resistência à insulina, de acordo com os pesquisadores. E camundongos geneticamente modificados para não produzir células B produtoras de anticorpos não se tornaram resistentes à insulina quando ficaram gordos. Injetar esses camundongos com células B ou anticorpos de camundongos obesos resistentes à insulina tornou os camundongos resistentes à insulina. Então o sistema imunológico claramente desempenha um papel nisso.
Em humanos, “fomos capazes de mostrar que as pessoas com resistência à insulina produzem anticorpos para um grupo seleto de suas próprias proteínas”, disse Edgar Engleman, autor sênior do estudo. “Em contraste, pessoas com sobrepeso que não são resistentes à insulina não expressam esses anticorpos”.
Essa linha de investigação está em estágios iniciais, mas sugere novos caminhos de pesquisa. E novas formas de analisar um problema muitas vezes levam a novas soluções.

Gretchen Becker foi diagnosticada com diabetes tipo 2 em 1996 e é o autora do Primeiro ano: Diabetes tipo 2 e Pré- diabetes, e co-autora de The Four Corners Diet. Desde então, ela se dedicou a aprender sobre essa doença crônica e a compartilhar essa informação para educar outros 

segunda-feira, 6 de maio de 2019

CHEGA AO BRASIL UM REMÉDIO DE AÇÃO SEMANAL CONTRA O DIABETES.

Um dos maiores dilemas no tratamento do diabetes tipo 2 ainda é conseguir controlar a glicose no sangue. Essa é a função básica de qualquer plano terapêutico e, claro, dos medicamentos lançados com essa finalidade. Mas, no século 21, temos outros objetivos desafiadores que acompanham esse primeiro. Se pudéssemos congregar todos eles numa frase só, daria pra dizer que a grande missão é domar a glicose e, ao mesmo tempo, reduzir o peso, oferecer baixíssimo risco de hipoglicemia e ainda oferecer segurança do ponto de vista cardiovascular.
E se todas essas vantagens pudessem ser oferecidas por meio de um único remédio? Pois é com essa meta que chega ao Brasil um novo tratamento para o diabetes tipo 2, o medicamento semaglutida.
Outro atrativo para o paciente é a frequência de aplicação: semanalmente. A ideia, claro, é facilitar a adesão e o uso correto no dia a dia. Mas há um detalhe importante em sua forma de administração: trata-se de uma medicação injetável. Ela é aplicada via subcutânea por uma caneta, num processo semelhante ao da insulina.
Obviamente, a indicação do medicamento (assim como qualquer outro) deve ser feita somente após consulta com o médico. Os efeitos adversos não são comuns, mas o que mais se destaca são as náuseas. Por isso, a dose da semaglutida deve ser aumentada gradualmente até se atingir o ideal para cada paciente. Na prática, parece que o fato de se apresentar náusea faz com que o paciente perca ainda mais peso.
Ainda que o fármaco seja de aplicação semanal, o desafio é manter seu uso continuamente — recado que vale para qualquer medicamento contra o diabetes. E o ponto é que, por ser injetável, sabemos que pacientes tendem a abandonar o tratamento prematuramente. O abandono da terapia, não custa lembrar, eleva os valores da glicose no sangue e piora o controle do diabetes, aumentando o risco de sequelas a longo prazo.
É preciso ressaltar que a semaglutida não se destina puramente à perda de peso. Ela é, sim, uma arma para tratar o diabetes tipo 2 e que possui um bônus de promover o emagrecimento. Outros estudos estão em andamento para avaliar segurança e eficácia do medicamento para o tratamento da obesidade no futuro.
Em suma, a chegada desse remédio enriquece nosso arsenal de opções contra o diabetes tipo 2, o que deve melhorar ainda mais o controle da condição e a qualidade de vida dos pacientes. Só vale recordar que medicações não operam milagres. Mesmo as mais modernas não nos eximem de fazer nossa parte, isto é, cuidar da saúde, se alimentar direito, fazer atividade física…